quinta-feira, 16 de junho de 2016

Caruaru - Pedra da Igrejinha

Continuando nossa saga do fim de semana estendido, saímos no domingo depois do almoço de Serra Talhada rumo a Brejo da Madre de Deus, onde chegamos no início da noite. Encontramos Leo Aranha e Jane, que haviam chegado pela manhã e escalado por lá. O plano seria acordar cedo na segunda-feira pra escalar as grandes vias abertas recentemente na Serra do Ponto.

Acordamos às 4h, tomamos café, arrumamos as coisas e só então percebemos que estava chovendo. Ainda demos uma volta de carro pra enxergar a Serra do Ponto e a visão foi desanimadora, tudo molhado.

Pensei um pouco e perguntei se eles topavam dar uma investida na Pedra da Igrejinha, uma das pedras que vemos todas as vezes que vamos à Brejo, mas ainda não tínhamos tido a chance de escalar por lá. A chance chegou, a pedra ficava no caminho de volta pra Recife, e se tivesse chovendo ainda, sem chance de escalar, voltaríamos pra casa mais cedo. O pessoal aceitou a proposta e lá fomos nós.

Como vinhamos da trip de Serra Talhada, só nos restaram 2 chapeletas e cinco parabolts (sem chapeleta), e a idéia era abrir uma via, ou começá-la, caso não tivesse nenhuma rota onde caberiam móveis.

A Pedra da Igrejinha fica entre Caruaru e Cachoeira Seca (onde tem a estátua do Lampião), no caminho pra Brejo, cerca de 5 a 10 km de estrada de terra adentro, entrando no posto antes do Rei das Coxinhas/Restaurante Acácia. Alex Guardiola já esteve por lá, pelo que me lembro dele contar, começou uma via artificial, mas quando caiu, progredindo em um teto pro lado, o pêndulo da marreta veio bem na testa do Felipinho, entre o olho e o capacete. A via não foi concluída, mas não conseguimos chegar até ela pras ver.

Subimos caminhando por um pasto cheio de blocos grandes e lisos até chegar na base da pedra, porém, chegamos pela face onde ela é menor, bem pequena na verdade, talvez com uns 40 metros de altura. Visualizamos uma linha que talvez fosse fácil subir, onde inclusive o morador local falou que o pessoal subia. Demos uma volta nos arredores, inclusive na face da direita, onde a pedra não era tão grande e olhando de longe parecia ter algumas fissuras. Achamos que seria tudo mais exigente e nos exigiria muita proteção fixa, que não tínhamos disponível, também não achamos nada em móvel para subir. Voltamos então pra pequena face e subimos pela linha que vimos e parecia fácil, meio morgados, descobrimos que não precisava nem de corda pra subir, passando pela chaminé inicial, seguia-se escalaminhando até o cume, e lá fomos nós.


Dando um rolé no cume vimos a linha que queríamos inicialmente por cima, pareceu mais factível e, como ainda era cedo, descemos, desescalamos a chaminé e andamos até a base da linha da qual tínhamos nos acovardado mais cedo.

Comecei em cima de um bloco, em uma base que a partir do primeiro lance já te obrigava a cair pra esquerda, pq pra direita não seria muito bonito...Fiz dois movimentos mais técnicos e as agarras foram aparecendo, a escalada ficou confortável e estiquei o máximo possível para bater a primeira chapa, bati mais uma na sequencia, não muito longe e depois estiquei mais um pouco até um lugar que pareceu razoável de parar. Bati um bolt e puxei Leo e Luciano. Leo tocou a próxima enfiada, um pouco mais fácil, só que maior, foram mais duas chapeletas até chegar próximo ao cume, de onde nos puxou na seg de corpo. Estava concluída (tipo obra do governo) a Via dos Covardes, com 90 metros de extensão. descemos caminhando e dessa vez em vez de desescalar a chaminé da via normal, rapelamos de uma chapeleta antiga de um top rope que tinha ao lado, um rapel bem curtinho.






Acabaram as chapas, e voltamos pra casa ainda bem cedo, mas deu pra ficar com água na boca com a Pedra da Igrejinha! Temos que voltar mais bem equipados e investir em sua face principal e mais vertical, parece linda!









Fim.






sábado, 11 de junho de 2016

Serra Talhada: Mais um promissor pico de escalada em PE!

Saindo de Recife pela BR-232, são pouco mais de 400 km até Serra Talhada, cidade que tem esse nome, pois fica aos pés de uma "serra", que possui o aspecto rajado, fraturado, "talhado".

Serra Talhada - Foto: Alexandre Fernandes

Saí de Recife com o Luciano Willadino, que estava de visita por aqui, e sexta-feira escalamos em Triunfo, com o Alexandre, que se juntou a nós para a empreitada. Resolvemos que seria melhor descer pra Serra Talhada ainda na sexta, pra poder acordar no sábado bem cedo em alguma possível nova via.

Dormimos na casa do Martim e da Mariane, que estão morando por lá e receberão escaladores de braços abertos, encontramos o Hemerson, que foi nosso guia até a parede, às 5h e seguimos de carro em direção á pedra, percorremos os 6 km da base da parede procurando onde seria o melhor lugar pra abrir uma via, ou ao menos começá-la, com as meras 15 chapas que conseguimos juntar. Imaginamos que seria pouco pra escalada que estimamos ser maior que 100 metros e bem vertical.
Escolhemos uma linha bonita, que parecia limpa e não tão difícil, além de apresentar algumas possíveis opções de fendas. 

O Hemerson nos indicou o lugar pra deixar o carro e seguimos mato adentro rumo à parede. Inicialmente seguimos por uma trilha bem aberta, depois por dentro de uma grande canaleta por onde escorre água em tempos de chuva, e no final, subimos um trecho bem íngreme de terreno ruim, com terra e pedras, bem escorregadio, até chegar no capim que tem próximo à base da linha que visualizamos. Acho que andamos cerca de 30 ou 40 minutos no máximo, e já estávamos no lucro por não ter precisado varar mato de verdade.

Alexandre chegando na base

Ficamos de queixo caído com a parede, que parecia de muita qualidade e com muuuuuitas opções de belas vias! A linha que visualizamos de longe realmente era a opção mais óbvia, nos equipamos e começamos os trabalhos.

Face onde abrimos a via

Olhei pra cima e vi uma chaminé limpa, com uma grande árvore encrustada e aparentemente protegível em móvel, e um platô bom no final. Escolhi subir com todas as peças e nenhum equipamento pra fixar nada, o que foi uma boa decisão pra mim e péssima pro Luciano e pro Alexandre, que subiram carregados.Subi pela chaminé, cheguei na árvore, escalei por ela até ficar em pé nos galhos mais altos, tudo ainda dentro da chaminé, foi quando protegi com dois friends e saí pela esquerda, em um batente e depois um agarrão, voltando em seguida pra linha da chaminé, passando por alguns diedros com boas proteções e chegando à um grande platô onde montei a P1 com boas peças.

Cauí na primeira enfiada

Chamei o Luciano e enquanto ele subia deslocou um bloco de pedra que caiu próximo à base, se espatifando e ricocheteando pedaços no Alexandre, só pra começarmos o dia espertos!

Nessa hora eu já estava vendo a segunda enfiada, que continuava bem fendada, a pesar de ter alguns blocos que deveriam ser cuidadosamente contornados. Não parecia muito difícil. Segui em frente e vi que eu estava levemente enganado, não pela presença de fendas, mas por ser fácil. Toquei com bastante atenção e cuidado com os blocos, algo que deu em torno de sexto grau, vertical e com lances de oposição, chegando à um platô, que contornei pela direita, depois voltei pra esquerda e segui até outro platô sem muita dificuldade. pensei em parar ali, mas vi que pra cima a parede parecia perder inclinação, e como tinha corda disponível, segui em frente, passando por outro lance de sexto, um pouco mais estranho, até chegar ao grande platô onde montei a P2 equalizando um friend grande e um bloco laçado.

Cauí na segunda enfiada

 Alexandre chegando na P2

Luciano na P2

Dali pra cima realmente parecia mais fácil, e também ficou bem bonita a linha, não haviam fendas contínuas, mas várias opções de proteção, sempre escalando em agarras. Em alguns lances dessa enfiada existem grandes bicos de pedra, que parecem pontas de pranchas de surf, dá até pra laçar algumas delas. A parede perde inclinação e finalmente eu encontro o sol, que até agora não tinha aparecido na via. Já no cume, lacei uma arvorezinha e coloquei algumas peças e puxei os dois, que vieram leves também, apenas com material pra fixar a parada do topo, que precisaríamos pra rapelar, deixando toda água e peso extra no platô. Cume!

Cauí na terceira enfiada

Luciano e Alexandre no final da via

Chegamos ao cume sem usar nenhuma proteção fixa, mas como infelizmente não dava simplesmente para descer caminhando, optamos por fixar algumas paradas pra rapel. Fixamos a P3 com duas chapeletas de argola e descemos 50 metros, com cordas emendadas até o platô. Nesse platô tem um grande bloco entalado atrás de uma protuberância rochosa, que nos deu segurança o suficiente pra laçá-lo e descer de rapel nele, sem precisar fixar grampos. Sendo assim, quem for repetir a via, aconselha-se levar 2,5 m de cordelete de abandono para substituir a fita nesse rapel. Desci primeiro com o backup folgado de um friend e depois os dois desceram. No platô da P1 também batemos um grampo P e uma chapa com malha-rápida, pois os rapéis naturais possíveis ali seriam bem inconvenientes. Puxamos a corda e concluímos com sucesso a empreitada! 

Segundo rapel

Gastamos 4 proteções, das 15 que tínhamos disponível, e concluímos a via! No dia anterior sonhávamos que na melhor das hipóteses encontraríamos rocha boa para se escalar protegendo em móvel, sem precisar bater muita chapa, mas não imaginávamos que além disso, seríamos brindados com sombra na pedra por toda a escalada!

Nós no cume!

Batizamos a via de Alpinismo Sertanejo, pois tivemos direito a muita escalada em móvel de qualidade, ancoragens naturais, blocos soltos, sombra e até uma "moraina" pra subir na aproximação! hahahaha

Croqui da Alpinismo Sertanejo (clique para ampliá-lo)

No dia seguinte fomos à um pequeno bloco de pedra, de acesso mais fácil, localizado na extrema direita da serra. Lá já tinha algumas coisas antigas, segundo informações, do Alex Guardiola, um dos pioneiros aqui da região.

O bloco é incrível e tem muita opção pra abertura de vias esportivas. Escolhemos uma linha ao lado de onde haviam dois grampos batidos, os famosos "grampos do Alex", primeiro o Alexandre, depois o Luciano e depois eu batemos algumas chapas até o final do vertical, onde colocamos uma parada dupla, de lá vi que pra cima ainda tinha "outro tanto" de pedra, um diedro fácil, puxei o jogo de friends e segui até o cume, onde exatamente na linha que eu estava tinha uma parada dupla, melhor impossível!

Alexandre no início da conquista da "Pedalada Fiscal"

 Luciano conquistando a "Pedalada Fiscal"

 Linha da via "Pedalada Fiscal"

Acesso para ambos os setores

Essa parada provavelmente serve de rapel de acesso à um platô que tem mais abaixo, na mesma linha da parada no fim do vertical. Nesse platô tem outros grampos, que por sua vez podem ter servido pra começar a equipar a linha ao lado, que parece bem bonita e difícil.

Concluímos então uma bela via que pode ser feita completa ou só até a primeira parada, são oito costuras e mais algumas peças médias se for até a segunda parada: "Pedalada Fiscal" (VI 40m).

Às 11h guardamos as coisas e, Luciano e eu nos despedimos do pessoal e seguimos pra Brejo, onde terminaríamos nosso fim de semana estendido. Mas isso eu conto no próximo post!

sexta-feira, 10 de junho de 2016

[Vídeo] Sinfonia (VI) - Triunfo/PE

O vídeo mostra a qualidade e beleza da escalada na cidade de Triunfo, com Alexandre Fernandes na cadena da via Sinfonia (VI). 

Esse foi o primeiro dia de um final de semana muito produtivo o qual vou relatar detalhadamente aqui na sequencia de postagens. Nesse dia, última sexta-feira, escalamos algumas vias esportivas no setor Lampião e 232, pro Luciano conhecer o local, enquanto esperávamos o dia seguinte pro real objetivo da trip.