quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Repetição da Deuses Esquecidos - Serra do Ponto

No último domingo Otto e eu fizemos a primeira repetição da Deuses Esquecidos [4° Vsup (8a/A1) A2 E2 D3], localizada na Serra do Ponto (cume do estado de Pernambuco) em Brejo da Madre de Deus. Boa parte da via foi livrada e pudemos atualizar o croqui após alguns ajustes. Segue o vídeo e o relato da escalada feitos por Adilson Otto:



     "Fazia algum tempo que Cauí estava tentando me convencer a fazer a primeira repetição da Deuses esquecidos na Serra do ponto, pelo croqui gostei da linha da via, mas aquela caminhada me deixava um tanto preguiçoso, já que meu joelho não está muito bem, venho poupando.
      Neste final de semana o grau de se fudência aumentou e decidimos repetir a via, com um pequeno detalhe! Cauí queria fazer alguns ajuste nas proteções para tornar a via mais livravél ou seja teríamos que levar furadeira e tudo mais, assim estaríamos mais pesados.
         Uma corda, um cordelete como retinida, dois jogos de friends e um de nut pra quem guia, e o segundo iria "The flash" no jumar pra acelerar o rendimento. Para não pegar sol saímos as 4:40 da manhã, pois após as 11h a via fica toda no sol, começamos a caminhada ainda no escuro, esta que na verdade é a travessia da Serra do Ponto, após uma hora passando por blocos no terreno tipo rio seco avistamos a parede mais vinte minutos chegamos a base da via.
          Como eu queria guiar a parte dos artificiais e Cauí a parte livre, ficamos todos felizes e ele começou a primeira enfiada, 7c que ainda não tinha sido encadenado, botou pressão nos regletes e passou o lance esticando a corda, chegou na P1, jumariei até a parada vesti a sapata e sai em direção a passagem em meio a vegetação, passando por um diedro inclinado, uns seis metros, com a mão na fenda e o pé na aderência na sequência uma rampa de aderes, nada complicado, e cheguei a P2.
           Cauí chega e se encarrega de fazer a transversal no plato de mato, de tênis mesmo e chega a P3, essa próxima enfiada me deixava ansioso, há tempos não guiava um A2 mas vamos lá, de início sequência de grampos passando para parafusos fui colocando cabo de nut, ai começou valendo, entrei na fenda, peça na frente de peça cheguei na parte do crux uma sequência de nuts na rocha quebradiça, tranquilidade foi essencial assim rapidamente passei o lance, pensei foi fácil, passei alguns lances e a fenda se abriu e tinha muito guano (excremento de morcego) tornando a pedra lisa, coloquei o friend #7 e por incrível que pareça o miserável escorregava que por duas vezes achei que iria vacar, subi um pouco e coloquei uma peça mais potência, chegando naquele velho dilema, saio em livre ou continuo em artificial, aiai, decidi sair em livre pra agilizar, passei alguns metros mas acabei voltando para os estribos tentando correr contra o tempo fiz essa enfiada em quase uma hora, chegamos a P4.
            Já sabendo que o artificial continuava na próxima enfiada, fiz um lanche e arrumei o equipo, lance rápido de uns 20 metros em A1, muito divertido por sinal,cheguei a P5, Cauí resolve tentar livrar o lance e o fez muito bem ficando em 6º sup.
         Essa próxima enfiada é da pancadaria, lance duro com proteções esportivas, Cauí foi entrando, grampo por grampo até que fez um movie errado e vacou, foi uma pena quase saiu a cadena total da via, cotamos o lance em 8a quem não quiser apertar uns bidedos pode passar pisando no grampo, mas vale livrar o lance, subiu mais alguns metros e decidimos fazer a parada opcional por causa do número de costuras, mais algumas sequências um pouco complicadas e chega a canaleta, resolveu adicionar mais uma chapa ao final (trecho conquistado em furos de cliff, tendo apenas o último grampo no rac pra bater no cume) pra tornar o lance mais seguro e livravél, chapa colocada, entrou e passou ficando em 7a.
         Jumariei freneticamente e chegamos ao cume após 5h e 30min de escalada, devoramos o resto do lanche, arrumamos a carga e partimos para o resto da caminhada da travessia da Serra do ponto, visual incrível do ponto culminante de Pernambuco, após 1h e 40 min de descida, com o joelho apresentando sinais de excesso de impacto, chegamos à capela da Mãe Rainha, em Brejo.
         Com certeza uma das escaladas mais técnicas e lindas de Pernambuco, com um visual alucinante de toda região!

Otto"

E aqui vai o croqui atualizado pra quem se interessar: 





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